Ficou curioso sobre o tema? Me acompanhe no raciocínio…. E saia da Caixa!
Neste blog quero provocar uma reflexão sobre o nosso modelo de avaliação que se encontra nas organizações e instituições. Este modelo ultrapassado precisa ser repensado para que talentos verdadeiros e genuínos possam surgir na sociedade.
Segundo o livro Normose de Roberto Crema e Pierre Weil, um educador é como um bom jardineiro. Você já viu um jardineiro comparar um jasmim com uma flor-de-maracujá? E exigir o mesmo currículo de ambos?
Fizemos isso conosco e, ainda fazemos com os nossos filhos. Na medida que fomos torturados normoticamente, já não nos damos conta da própria tortura. Essa é a famosa Cama do Procusto, aquele bandoleiro da mitologia grega que oferecia sua hospitalidade a todos os viajantes. Se o hóspede fosse maior do que a cama que lhe era oferecido, Procusto lhe cortava as pernas para bem adaptá-las no móvel. Se o hóspede fosse menor, ele as espichava, naturalmente. Ocasionalmente, aparecia um hóspede do tamanho da cama, ou seja, do tamanho de Procusto. Eis o que representa, bem literalmente, um currículo rígido e padronizado.
Este método de comparação e de dar notas gera muito sofrimento. Existem instituições que adotam outros métodos que respeitam o processo evolutivo do conhecimento, convidando o aprendiz a apresentar uma obra-prima. O que é uma obra-prima? É algo concreto, que ele transpirou, por ter integrado a abordagem holística, obra que brota da sua vocação singular. Esta obra é única, dentro do que D´Ambrosio denominava de ética da diversidade.
Eis a beleza da biodiversidade. O Grande Arquiteto providenciou que houvesse flores de todas as cores para que um jardim possa exalar sua natural harmonia, que decorre da unidade na diversidade. Nós recebemos talentos diferentes e, às vezes, quando somos avaliados apenas a partir de um único padrão, temos que jogar a individualidade e a originalidade na lata do lixo. Para sobreviver, temos que nos vender por boas notas. Mais tarde, nos venderemos por outras notas. Segundo Roberto Crema, a normose da comparação e padronização escolar encontra-se na origem mesma da corrupção que aí está….
A atitude educativa é de facilitar que cada um possa se desenvolver a partir da sua vocação, parindo sua própria palavra, florescendo a partir de uma alteridade. Como fazia o grande educador Sócrates, um autêntico parteiro que, por meio de sua maiêutica, facilitava que cada um desse a luz a si mesmo. Creio que poderemos encontrar outras formas de auto e de heteroavaliação, como um processo centrado no aprendiz.
Nos projetos que realizo junto a organizações e instituições, construo formas de avaliação considerando esta biodiversidade para perceber a evolução tanto do indivíduo quanto do grupo. Os resultados são surpreendentes entre todos, engajando mais e elevando a performance da equipe.
Arrisque mais, pense mais, saia da caixa, seja um líder cocriativo, compartilhando e cocriando junto com pessoas e processos. Saia da normose padronizada de um sistema engessado e permita-se descobrir formas excepcionais de obter desempenhos surpreendentes.


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